sexta-feira, 4 de março de 2011

Por que precisamos de cura interior?




“Aceitar livremente obedecer e ser dócil é caminho para a maturidade: tornar-se adulto psicologicamente e, sobretudo, adulto em Cristo” (monsenhor Jonas Abib).

A cura interior não só é importante como também é necessária: precisamos ser curados, Deus quer nos curar plenamente; por meio dela somos restaurados na nossa personalidade. Ela é a chave para a cura plena da pessoa. Cada dia é um dia de surpresas que o Senhor nos reserva; podemos confiar e nos abrir, sem medo, à ação do Espírito Santo.

Como saber se eu preciso de cura interior? Onde eu preciso de cura interior? São questionamentos fundamentais que nós – à luz do Espírito Santo – precisamos nos fazer, buscando o discernimento e o diagnóstico. Se um médico é cuidadoso em fazer um diagnóstico ao seu paciente, quanto mais nós precisamos ter cuidado com o diagnóstico das emoções nossas e das pessoas. É preciso se abrir ao Espírito Santo, agir, em Nome de Jesus, para o bem, porque o Senhor trabalha para o bem, para todos aqueles que O amam. Seguir o exemplo de Cristo, que passou pela terra fazendo o bem, libertando as pessoas do poder de satanás: é preciso concluir esse trabalho, é preciso ter fé e compaixão.

As etapas para viver bem esse processo:

“É fundamental colocar em ordem nossa vida passada, toda ordem tem sua estrutura na cruz de Jesus”. A cruz é e será sempre a chave de leitura da nossa história de salvação. É necessário realizar a paz dentro de nosso interior. Em nossa história realizar constantemente a reconciliação com nós mesmos, com os outros e com Deus. Visitar o passado requer uma mudança, não olhamos para trás e aceitamos. Para o homem espiritual todas as situações de sua vida lhe fazem perguntas: “Quem está comigo?” “O que Deus quis me falar?” “O que aprendi?”. Como é possível reler nossa história de salvação e transformá-la num bem? Em Cristo o Pai já realizou toda essa transformação. É necessário, pois:

1) Aceitação: Capacidade de recordar os fatos, pessoas. Jesus entra no profundo de cada um e o descobre, com amor. Ex.: Samaritana. Nenhum fato de minha história é um absurdo.

2) Reconciliação: Com a própria história, para eliminar toda negatividade. Acolher as realidades como presença misteriosa de Deus. “Quantas vezes devo perdoar?” nem tanto a quantidade do perdão, mas a qualidade deste ato. Só se pode perdoar olhando para a cruz, para o Crucificado. Recordar, sob a memória credente de Jesus, me faz recordar sem dor, mas sob a luz do Espírito: “Fazei isto em memória de mim”. Todo meu passado posso recordar sob a cruz, ela faz ativar a memória.

3) Transformação: Quando a pessoa intui a positividade das coisas, ainda que negativas. Nossa história deve ser escrita e revista como um memorial, nunca como um diário, mas celebrando: “Deus estava presente, neste, naquele momento…”. Fé histórica: encontro o Senhor em cada momento, em cada fase. No Juízo Final o Altíssimo nos perguntará: “O que você fez com a minha presença na sua história?” Encontrar o rosto do Senhor, Ele que se manifestou das mais diferentes maneiras.
Na Quaresma, é comum encontrarmos imagens cobertas por mantos de cor roxa: sentido de penitência

O que quer dizer Quaresma?

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer.



O que quer dizer Quaresma?

A palavra Quaresma vem do latim quadragésima e é utilizada para designar o período de quarenta dias que antecedem a festa ápice do cristianismo: a ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no famoso Domingo de Páscoa. Esta prática data desde o século IV.

Na quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas e termina na quinta-feira (até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive - Diretório da Liturgia - CNBB) da Semana Santa, os católicos realizam a preparação para a Páscoa. O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais.

Essencialmente, o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa. Assim, retomando questões espirituais, simbolicamente o cristão está renascendo, como Cristo. Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência.

Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.